Pesquisa  aponta: 73% dos brasileiros pretendem viajar nos próximos 12 meses

Viajar continua nos planos da maioria dos brasileiros, mesmo diante dos custos e das incertezas que afetam o turismo. Uma pesquisa realizada pela plataforma de viagens Omio, em parceria com a YouGov, mostra que 73% dos entrevistados no Brasil provavelmente farão ou já reservaram uma viagem de férias ou lazer para os próximos 12 meses. Além disso, 18% consideram viajar uma prioridade máxima, o dobro da média global, de 9%.

O levantamento ouviu 8.505 adultos no Brasil, na Alemanha, na Itália, na Espanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Entre os brasileiros, foram 1.067 entrevistados. Os resultados indicam que, apesar das preocupações financeiras e das mudanças no cenário internacional, a vontade de viajar permanece forte e influencia as escolhas de destinos, períodos e experiências.

O interesse também cresce internacionalmente. Entre os participantes dos seis países, 43% afirmaram que desejam viajar com mais frequência, ante 32% em 2025. Ao mesmo tempo, os turistas demonstram maior atenção ao planejamento financeiro e à flexibilidade dos roteiros, buscando alternativas para manter as viagens no orçamento.

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Custos influenciam o planejamento das viagens

O preço das passagens aéreas é um dos fatores que exigem atenção dos viajantes brasileiros. Em agosto de 2026, a tarifa aérea média por trecho chegou a R$ 776,87, alta de 14,5% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 13,17% nos preços das passagens aéreas em agosto. Em setembro, houve alta de 9,66%. Os indicadores têm metodologias distintas: enquanto a Anac acompanha a tarifa média praticada no setor, o IPCA mede a variação dos preços pagos pelos consumidores.

A preocupação com os gastos aparece diretamente na pesquisa. Entre os entrevistados dos seis países, 78% esperam adotar pelo menos uma estratégia para economizar nas viagens. As principais medidas incluem procurar ofertas e planejar com flexibilidade (32%), viajar na baixa temporada (30%) e organizar os deslocamentos com maior antecedência (29%). No Brasil, o percentual dos que pretendem tomar alguma medida para controlar as despesas chega a 88%.

A preocupação com os gastos aparece diretamente na pesquisa (Magnific)

Destinos nacionais e roteiros com várias paradas ganham espaço

O Brasil continua sendo a principal escolha dos viajantes brasileiros: 76% demonstram interesse em viajar pelo próprio país, dez pontos percentuais acima da média global, de 66%. Entre os destinos internacionais, a Europa aparece como a região mais citada pelos brasileiros, com 18%, seguida pela Ásia, com 8%.

A pesquisa também aponta interesse em diversificar as experiências. Entre os brasileiros, 53% planejam ou consideram fazer roteiros com várias paradas nos próximos 12 meses. No conjunto dos seis países, esse percentual é de 48%.

Entre os brasileiros interessados nesse formato, 30% buscam experiências variadas e memoráveis, outros 30% valorizam o aproveitamento do tempo e o custo-benefício, enquanto 19% consideram o próprio deslocamento parte da experiência de viagem.

Por outro lado, o descanso e a familiaridade também têm peso nas decisões. Entre os entrevistados brasileiros, 27% priorizam viagens voltadas ao relaxamento, 25% pretendem retornar a destinos conhecidos e 27% valorizam a facilidade de acesso e deslocamento. Outros 19% preferem permanecer em um único lugar, enquanto 15% buscam destinos mais previsíveis.

Calor e cenário internacional alteram as escolhas

As condições climáticas também podem influenciar o planejamento. Segundo a pesquisa, 83% dos brasileiros adotariam pelo menos uma medida para adaptar suas viagens durante períodos de calor intenso. Entre as alternativas, 26% considerariam escolher destinos mais frescos, visitar regiões de maior altitude ou incluir paradas em locais de temperaturas mais amenas. Outros 21% optariam por viajar em outro mês ou estação.

No cenário internacional, as preocupações também interferem nas decisões. Globalmente, 75% dos entrevistados afirmam que acontecimentos mundiais afetam seus planos de viagem. No Brasil, o percentual chega a 84%, nove pontos percentuais acima da média dos seis países. Entre as medidas consideradas pelos viajantes, está a escolha de destinos percebidos como mais seguros.

A pesquisa também revela uma atenção crescente ao impacto do turismo nos destinos visitados. Entre os brasileiros, 21% afirmam viajar fora da alta temporada e 17% dizem pesquisar regras locais ou o comportamento esperado dos visitantes. No conjunto dos países pesquisados, 22% viajam fora da alta temporada, 15% procuram informações sobre costumes e regras locais e 14% evitam atrações muito movimentadas.

Gerações têm estratégias diferentes para viajar

A idade também influencia a forma como os turistas organizam as férias. Na média dos seis países, 34% dos entrevistados da Geração Z planejam as viagens com antecedência, ante 23% dos Baby Boomers. A geração mais jovem também demonstra maior disposição para cortar gastos: 26% adotam essa estratégia, em comparação com 16% dos mais velhos.

No Brasil, porém, o comportamento é diferente. Entre os Baby Boomers, 39% afirmam planejar as viagens antecipadamente, contra 35% da Geração Z. Na intenção de reduzir despesas, o percentual é de 32% entre os mais velhos e 22% entre os mais jovens.

Outro destaque é o interesse por viagens motivadas por eventos e paixões pessoais. No Brasil, 78% dos entrevistados já fizeram ou considerariam visitar destinos menos convencionais por causa de um interesse específico, como atividades culturais, esportivas ou outros eventos. Desse grupo, 61% aceitariam gastar mais para realizar a viagem e 63% estariam dispostos a enfrentar deslocamentos mais longos ou menos confortáveis.

O levantamento indica ainda que 73% dos brasileiros usariam as férias para se dedicar a um interesse pessoal. Para isso, 58% aceitariam abrir mão de outras férias ou adiá-las, enquanto 52% considerariam mudar os planos relacionados a eventos importantes.

Fotos: Magnific

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